Cuiabá enfrenta surto da síndrome de Coxsackie e médica alerta para cuidados com crianças

A síndrome de Coxsackie, popularmente chamada de mão-pé-boca, chegou a Mato Grosso e diversas cidades do país e têm acendido o alerta sobre a doença. Ao MidiaNews, a pediatra e patologista clínica Natasha Slhessarenko conta que os cuidados com a higiene das crianças e até a imunização contra doenças que têm vacinas podem colaborar para evitar a disseminação do vírus.

Cuiabá, por exemplo, vive um surto da doença. A Vigilância Epidemiológica recebeu 81 notificações da síndrome na Capital até o dia 3 de dezembro.

A doença é causada por um vírus da família do enterovírus, geralmente o vírus Coxsackie A16. No entanto, existem mais de 15 tipos de vírus dessa família que podem causar a doença. As características mais comuns de transmissão desses vírus são por meio oral, fecal, contaminação da pele e lesões mucosas.

A síndrome atinge principalmente crianças menores de 5 anos. A pediatra diz que não é comum, mas a doença pode ocorrer com adultos. Em Várzea Grande, por exemplo, dois casos foram registrados em maiores de 18 anos, segundo a Vigilância.

O nome da doença é justamente por aparecer pequenas feridas nas mãos, pés e na boca. Segundo a médica Natasha, “as lesões também podem dar na barriga, nas pernas e no bumbum”.

Os tipos de lesões aparecem inicialmente como manchinhas vermelhas, chamadas de máculas. “Depois, elas podem evoluir para fáculas, que é uma bolhinha, ou uma vesícula, que é uma bolinha, como se fosse uma afta na boca”, afirmou.

Cuidados para não pegar

Segundo a médica, por ser uma doença de transmissão oral-fecal, os cuidados básicos de higiene ajudam a evitar a disseminação. Lavar as mãos, os alimentos, evitar o contato direto entre crianças doentes são algumas das formas de combater a transmissão.

“A recomendação é de que quando a criança estiver doente, não a mande para escola. Mas aqui no Brasil tem essa cultura que, às vezes, a mãe não tem com quem deixar e acaba mandando para creche. Isso pode ser ruim, porque a criança está transmitindo a doença”, disse a médica.

Mesmo não tendo ainda uma vacina que evite a síndrome, a especialista frisou que a cobertura vacinal contra outras doenças é importante para evitar a proliferação de vírus e o aumento de casos.

No Brasil, os índices de cobertura vacinal infantil em 2020 foram os menores registrados em 25 anos, de acordo com dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), analisados pela Agência Fique Sabendo.

“Não tem vacina para essa doença, mas o fato de estar com as vacinas em dia evita muitas outras doenças como meningite, pneumonia. A gente precisa incentivar isso, as vacinas são umas das formas mais importantes de proteção contra a doença infectocontagiosas”, destaca a médica.

Mas se pegar…

Natasha explica que o diagnóstico para a doença é clínico. Apenas o pediatra olhando o quadro do paciente consegue identificar a síndrome.

“É fazer o diagnóstico clínico, não precisa fazer exame de laboratório. O que se faz é dar o tratamento de suporte, porque é uma doença que não tem remédio”.

Segundo ela, os medicamentos receitados são para dores e febres, alguns dos sintomas da doença. Não há remédios de combate direto ao vírus.

“É muito comum, além de aparecer essas lesões na boca, a criança ter dor e febre. Então, a gente acompanha esses quadros: mal-estar, dor de garganta, ficar salivando, não querer comer. Esses sintomas são clássicos da síndrome mão-pé-boca”, explicou a pediatra.

Por gerar feridas até mesmo dentro da boca, Natasha disse que as crianças podem recusar a alimentação. Uma estratégia para comer, quando possível, é dar alimentos líquidos, que possam ser ingeridos por canudos.

Outra orientação, segundo a médica, é não dar alimentos quentes, nem alimentos ácidos.

Apesar de todo transtorno que a doença pode dar durante alguns dias, a pediatra afirmou que a síndrome mão-pé-boca é uma doença benigna e na imensa maioria das vezes se resolve em uma semana, sem deixar sequelas.

Surtos da síndrome

Os registros da doença mão-pé-boca tiveram um aumento expressivo no Brasil neste ano. Inicialmente, os surtos em crianças foram registrados em Estados do nordeste do País. Depois, houve aumento de casos na região sul.

Atualmente, os Estados em alerta são Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Em Cuiabá, foram registrados 81 casos da síndrome mão-pé-boca, segundo a Vigilância de Saúde da Capital. No ano passado não houve casos notificados. Já Várzea Grande registrou 200 até o início de dezembro deste ano.

Além da região metropolitana, cidades como Primavera do Leste, Jaciara e Rondonópolis também emitiram alertas sobre o surto da doença.

Segundo a especialista Natasha Slhessarenko, não há uma explicação certa sobre o que tem causado o surto. Embora a transmissão seja mais comum nas creches, em outros momentos, antes da pandemia, os surtos não eram frequentes, mesmo a doença sendo muito típica.

“Surtos são quando a gente tem um aumento no número de casos esperados. Esses surtos acontecem porque as crianças acabam se disseminando mais”, diz.

A médica Natasha também indica que os pais têm prestado mais atenção quanto à saúde das crianças, o que pode ser explicado pelo aumento dos registros.

“Os pais estão mais atentos. Qualquer coisa a gente leva no médico. Antes, isso poderia deixar passar sem ter o diagnóstico”.

“A gente não sabe dizer ao certo agora as causas do surto. O importante é que os pais estejam em alerta”, completou.

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