“A depressão é a morte dos motivos”, diz psicóloga de MT sobre doença que atinge a sociedade

"A depressão é a morte dos motivos", diz psicóloga de MT sobre doença que atinge a sociedade

Perda ou aumento de apetite. Dormir pouco ou dormir muito. Vontade de fugir e desaparecer. Coração disparado, memória afetada, falta de libido e dos interesses em gerais. Esses são alguns sintomas da ansiedade e da depressão, doenças que tem atingido cada vez mais a população que acaba usando as redes sociais para desabafar sobre suas dores e incômodos.

A psicóloga Larissa Slhessarenko Ribeiro, de Mato Grosso, conta que crianças já têm apresentado quadros de ansiedade, que se não forem bem acompanhados podem se tornar um quadro de depressão. Segundo a profissional, entre os vários fatores, a correria do dia a dia, a “urgência e emergência”, as comparações, as exigências, a falta de empatia de muitas pessoas próximas a são algumas possíveis justificativas para o abalo da saúde mental.

São homens, mulheres, jovens, idosos, crianças, pessoas de qualquer idade, gênero, orientação sexual e condição econômica que podem ser atingidos pela doença. Uma doença que não tem rosto, escolaridade, cultura e nem “bolso”.

“É o fazer para ontem, bem feito e geralmente com o custo baixo, claro, que nos exigem em nossos desempenhos como pessoas e profissionais. Você tem que ser bom, ou ainda, o melhor e fazer tudo rápido”, explica sobre esse “atropelo” atualmente na vida das pessoas.

Larissa Slhessarenko Ribeiro é psicóloga há 26 anos e diz que todas as pessoas têm algum nível de ansiedade, mas quando ela começa a ficar mais intensa, pode se tornar depressão. A pessoa acaba ficando imobilizada, e pode apresentar picos de tristeza. “Toda depressão tem ansiedade que por vezes já ‘paralisou’ a pessoa, mas nem toda ansiedade vira depressão. Precisamos atentar a isso. As doenças emocionais, que são as doenças da alma, são muito profundas e complexas. Exigem uma responsável e grande análise”.

Segundo a profissional, a depressão é como “a morte dos motivos”. “Nós costumamos ‘medir o quanto’ de vida que uma pessoa tem (numa tentativa de ‘levar concretude’ a algo que envolve muita subjetividade) pela quantidade de motivos que ela tem. Então, quando as vontades positivas e estimuladoras começam a falhar, diminuir ou acabar, precisamos ficar alertas. Muitas pessoas não sentem vontade ou motivos de se levantar da cama, de tomar banho, de se alimentar, de ir trabalhar e isso por si já deveria fazer com que ficássemos atentos, pois pode ser que esteja se instalando um quadro de depressão”.

E completa: “Claro, que a análise é complexa e ampla, exigindo cuidado e grande atenção com vários fatores. Tristeza, momentos tristes fazem parte de nossa existência. Depressão é doença e como tal deve ser diagnosticada e tratada”.

Ainda segundo Larissa Slhessarenko Ribeiro, as mudanças de comportamentos habituais de uma pessoa, ou seja, quando ela passa a ser ou estar muito irritada, agressiva, quando começa a apresentar falta de rendimentos pessoais e profissionais, passa a tratar mal as pessoas, buscando afastar os que a rodeiam, se isolando, bem como apresentar doenças físicas constantes, em outras palavras, quando a pessoa começa a perder sua funcionalidade, tudo isso pode ser sintomas de que algo não está bem.

A psicóloga diz que tais fatos, entre muitos outros, podem estar ocorrendo, pela falta de se dar um tempo, de se recolher, ficar sozinho na própria presença e se curtir, o que é diferente da solidão. A psicóloga diz que um dos grandes males atuais da sociedade é a falta de “pausar” pra se perceber.

É comum ver pessoas desvalorizando e desconsiderando a depressão, ou outros quadros que abalem a saúde mental, chamando até mesmo de frescura.  “O que nos humaniza é a empatia, a gentileza e a compaixão. É se colocar no lugar do outro. Doença emocional não é ‘frescurite’, ‘mimimis’. É uma doença, tem CID (Código Internacional de Doenças), é cientificamente estudada, precisa ser bem diagnosticada e tratada”.

A psicóloga explica que é normal uma pessoa ficar triste diante de alguma adversidade, como perder o emprego, bater o carro, se divorciar, algumas doenças, mas quando se torna intensa demais essa tristeza, precisa procurar ajuda. “Não olhe a árvore, olhe a floresta. Não olhe para o fato isolado, olhe o contexto em geral”.

Muitas pessoas que apresentam um quadro de depressão não têm com quem falar, visto que muitos que o cercam acabam desqualificando sua doença, e a pessoa acometida acaba se isolando cada vez mais e isso tende a piorar o caso. Então, sem essa “válvula” para o desabafo, muitos buscam se aliviar nas redes sociais. “No que você está pensando?” e “O que está acontecendo?” são alguns dos cumprimentos do facebook e twitter, respectivamente, aos seus usuários.

A internet se tornou o local em que seus usuários compartilham (até demais!) o dia a dia, suas conquistas e as suas tristezas. Por isso, Larissa Slhessarenko Ribeiro diz que quem ler mensagens em qualquer rede social e perceber um discurso “estranho” da pessoa que postou é preciso ir conversar com ela no privado. Buscar saber o que está acontecendo.

O ideal é ajudar, conversar

Se conhecer a família ou amigos, procurá-los para saber o que de fato está acontecendo. “É nosso papel. Uma vez percebendo algo estranho, de diferente em uma pessoa, ir atrás para ajudar, mas com responsabilidade. As pessoas estão se expondo nas redes sociais e às vezes é porque não têm espaço com o pai e mãe, ou tem uma família que pode ser próxima, mas tem muitos problemas. Enfim, em qualquer das situações, é muito provável que a pessoa (seja a criança, jovem ou adulto) não ache ‘espaço confortável para falar sobre’ e dai acabam por transparecer suas dores nas redes de comunicações sociais”.

Larissa Slhessarenko Ribeiro explica que muitos podem ser os motivos para essa forma de vazão emocional, e a família precisa em muitos casos se perceber pra se cuidar também. “Quem vê algo de diferente em postagens, não usuais para aquela pessoa que postou, tem a responsabilidade de tomar providências”.

A psicóloga declara que o ideal nesse momento delicado é ter o apoio da família e amigos, mas sempre buscar ajuda profissional. “A escuta, o olhar dos familiares e amigos ajuda muito por serem acolhedores, mas eles na maioria das vezes, são leigos ou por estarem diretamente ligados a quem está sofrendo, podem ‘não enxergar bem’ as ocorrências. Podem ser muito afetivos ou até ‘desligados’, de qualquer forma, se confundirem em como agir, ou seja, não possuem o olhar profissional, tão importante para se diagnosticar e conduzir a um tratamento adequado. O profissional médico, orientará bem a terapêutica juntamente com o profissional psicólogo. O psicólogo é peça chave em tratando de ansiedade ou depressão”.

Larissa frisa, ainda, que o psicólogo é um profissional importante nesses casos de pessoas que estão vivendo uma situação difícil e querem entender ou elaborar seus sentimentos e consequentemente, melhorar seus comportamentos. “A depressão tem tratamento, existe “saída”. Sei que por vezes é difícil de acreditar nisso, mas tem. É um trabalho conjunto que envolve tempo e bons profissionais. Importante também a pessoa acometida, saber que não está sozinha. O ideal é o depressivo contar com uma rede fortalecedora, de apoio familiar, profissional e social”.

Fonte: Circuito Mato Grosso

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